Sonhar – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Para que serve o sonhar
sendo horrivel despertar?
quando osonho e de amor
mata sempre o sonhador!

Porque nao vens? – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Olho em frente e vejo-te em tudo:
a flor batida pelo vento
a elegancia da vela esticada
a placidez das aguas
o papelinho a planar no ar
a tarde que cai lenta e pardacenta
aqueles ohos sonhadores e belos
a furtiva lagrima da saudade
o fluido da musica maviosa
e o lento bedalar das horas
deixa-me olhar-te profundamente
sentir a tua doce companhia
rir pelos teus labios
e ver o mundo mais clemente
vem, vem ate mim
vem sentir pulsar por ti o meu coracao
vem oa chamamento da minha alma
vem ver quanto te anseio
nao deixes que o desalento
a passar a desespero
me tome e me faca sofrer

Partir, ficar? – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Olho expectante o fundo dos teus olhos:
vejo-me feliz espelhado neles
e porque este medo atormentante
da horrivel solidao envolvente?
sinto-me triste ao pensar na partida
vejo com receio a ideia de ficar
porque partir, porque ficar?
e tremendo pensar em pensar:
penso que te quero deixar
e penso que te quero levar
que hei-de fazer
e como nao esmerecer?

Queres – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Porque receias? confessa
vamos partir ambos a aventura?
receias nao ser feliz a meu lado?
se sabes porque nao confessas?
de que duvidas, do meu amor?
nao ves quanto ele e belo?
nao ves como ele e grande?
porque nao confias em mim
e voas comigo ao encontro do desconhecido?
nada receies, eu defendo-te:
exporei mesmo o meu peito as balas
embalar-te-ei nos meus bracos
e adormeceer-te-ei com a minha voz:
cantar-te-ei toda a saudade do meu ser
transmitir-te-ei o meu sentir primitivista
e viveremos entao felizes de sos

Saudade – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Apenas um instante mais:
quero lembrar com saudade
o amor que me inspiraste
quero esquecer as coisas reais:
ver-te na nuvem fugidia
na aragem nua e fria
no canto da cotovia
e na luz do meio-dia
quero cantar-te em poesia
qual bela sinfonia
tocar somente de leve
a tua face tao tenue
mergulhar no teu olhar
o meu querer de amar
olhar-te por toda a parte
e sentir-me viver com "arte"
sentir a cada momento
querer transformar-me em vento:
voar sozinho contigo
e chegarmos ao "paraiso"

Triunfaste – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Porque duvidas ainda
nao ves como me humilhaste?
nao sentiste o meu sangue aquecer-se
quando com a tua mao na minha?
depois da labereda da paixao
com que me incendiaste
o meu amor assexoou-se
e temo-te por nao seres minha
que queres tu mais afinal
mostrar-me que nao tens rival?
maldita sejas entre as mulheres
ja que assim tanto o queres:
jogas comigo o inferno
obrigando-me a ser terno
triunfaste, triunfaste
a vitoria me arrebataste
podes dar o "fora" comigo
ja que eu o nao consigo
e tudo contigo levaste
deixando-me expectante
terei ganho, perdendo
porque nao fiquei morrendo?
terei renascido em mim
vivendo agora ate ao fim?
Solidao

Tentei encontrar-me – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
e mais me perdi
voguei indiferente
e repirei tedio
bafejou-me a quentura
e fiquei frigido
olhei rostos
e nao vi ninguem
procurei a vida
e nao a senti
apalpei a morte
e nao a senti
feri-me a mim mesmo
e nao me vi sangue
olhei a direito
e ja nada vi

Porque – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Se "eu" fosse eu
queria sonhar:
dancar uma valsa
jogar no casino
passear junto ao mar
nadar na piscina
cavalgar no vale
remar no lago
velejar no rio
viver a sorrir
mas a vida parou-se-me:
nao estou triste nem alegre
nao durmo nem sonho
nao penso nem sinto
nao tenho fome nem sede
nao quero nem espero
nao vejo e nao sou cego
nao oico e nao sou surdo
o meu coracao parou
e o sangue e-me aguado
presssito a morte
e amorteco-me na esperanca

Encruzilhado – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Na curva durida e parada da noite
olho-me e desconheco-me
quem sou, que faco, para onde vou?
porque permaneco epenso
que penso e que quero
onde me perdi e como achar-me?
porque me perdi?
ninguem me conhece e conheco todos
sinto-me a nada sentir e a nada querer
esqueci-me do tempo e sofro a demora
apresso-me e nunca chego
espero e nada vem
sinto-me cheio de vazio
e nado no espaco do tedio
receio voar e ser soterrado
caminho sem fim e anseio a uma meta

Desespero – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Perdido na selva de mim mesmo, olho em volta:
so vejo o eco dos meus passos na verdura
dos outros apenas noto mutacao
de pessoas em miriades arvores profundas
tudo se me altera e se me confund
e sinto-ne centro conico instavel
para onde converge seiva amarga
que me envolve, qual fluido luminoso
obrigando-me a sentir a vida tropega
e a estender os bracos ao veneno
para fugir ao estranho silencio sibilar
que contrasta com invisivel tempestade
que me para e entenebrece o pensamento
e me prende na fronteira da vida com a morte

Sonho dourado – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Meu barco, minha galera
vai passando junto ao mar
oico vozes, muitas vozes
de sereias fascinantes
mas es tu, ainda tu
que reinas na minha alma
que me trazes doce mensagem
de enleado em ouvir-te
mais e mais eu me aproximo
varo na praia o barco
e parto ao teu encontro
doce raio cristalino de luar
ilumina tua face
e eu paro, extasiado
quedo-me a contemplar-te
de teus olhos escorre mel
nos teus labios fresca brisa
e tua voz sedutora
atrais-me mais, sempre mais
ja estou perto de ti:
abro os olhos, infelizes
e nao te vejo a meu lado...

Crepusculo – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
No crepusculo incolor
quando o sol perde a cor
teimo em ver-te na alma das coisas:
mas nada mais, para meu mal
so esta tristeza irreal
da tua presenca perdida
e fico-me como ave emigrada
que nunca conseguiu realizar
o que sempre levou a idealizar
e o vago temor incontido
daquilo que se julga perdido
pobre de mim, desgracado
que ja nao consigo, saturado
tocar ao menos de leve
a tua face tao tenue
saudade, palavra rota
mas que e bem a minha alma
com a musica inebriante
com a minha poesia hesitante
fazes tudo o que espero do mundo
e vejo-me tao meditabundo...

Corvo branco – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Eu sou o corvo branco, muito branco
que vive muito longe, no Japao:
porque nao sou negro, como os outros
sou atroz e ferozmente perseguido
nao posso voar proximo, so recuado
e tenho por delicias, incontidas
as amarguras de me sentir isolado
nao compreendo o mal que os outros fazem
e pago por todos, injustamente
o castigo imerecido e profundo
de me sentir diferente e infeliz
nao podendo gozar prazer comum
e sendo devotado ao "fatalismo"

Noite adentro – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Cansado
a morte na alma
o desespero no coracao
esperanca
doce favo de mel
porto seguro na tempestade
-e tu es ela
amor
fogo morno, desejado
que aquece e vivifica
-e tu es ele
eu sou marinheiro errante
sou passaro emigrante
sonho com estrelas belas
oico em extase sereias
canto para te embalar
e arrebato-me de te amar
Peco-te

Com o medo profundo na alma – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
da noite que me vai tomar
que me dividira o tempo
que me roubara a ti
olho-te e peco-te ajuda
nao quero mais violentar-me:
saldando-me a mim mesmo
ganhando horror a figura
que o espelho me devolve
-azul, amarelo, roxo-
confesso que me sinto cansado
peco-te que me acompanhes
que nao obrigues a minha alma
ja esticada no maximo
a querer mais, sempre mais
e me des descanso ao coracao
nao te doi eu sofrer-te assim?

Saudade nao, amor! – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Saudade
-amargura aprazivel
gosto a fel mel na alma
linha da alma ao coracao
saudade
-eras bem so o que eu sentia na vida
do que vivi e nao vivi
do senti e nao senti
de onde estive e de onde nunca estive
mas saudade
-ja nao es tu:
sinto pulsar ainda mais forte o coracao
sinto revelacao de maior paixao
e vejo-me feliz
doce revelacao
indolente embalar
com fogo a contrastar
calma outonal
e bom sento:
-amor

Gotejat – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Minha boca escorre tedio
meu olhar, obliquo, esgotado
caudal lento de preguicoso rio
vazio e ausente, coa saudade
sinto o coracao saturado
e a alma esvai-se-me lentamente
na luta constante de inconstante
que me faz grao de po girando dormnete
nas horas paradas da vida de sempre
meus labios, de sabor amargurado
pensam cansados em prazer gritante
e o espirito, seco de sonhado
tenta repouso no nao ansiado

So – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
No super instante da vontade
na suspensao do grito finalissimo da morte
no insaciavel da fome de sede
no gosto morbido-cruciante da morte
no esbraceja cansante no nada
no misterioso sufocante do alem vida
no apogeu da derrota vitoriosa
na negacao perfurante de vida
no oco do meu ser derradeiro
na loucura indomita do desejo
na dor de nao querer e ser cego
na miseria do inconstante-introspectivo
no desencontro escabroso do tempo
na desintegracao atomica do Universo
na inseguranca rude de vivir
no impavido de preferir e nao querer
na encruzilhada de ser e nao ser
na tenacidade de querer e nao poder
no enfarte ilogico de nada ter
no zero absoluto da compreensao
na fronteira calamitosa do sim e nao
no odio do meu amor de paixao
na angustiante amargura do tedio
no horripilante atroz do meu pricipicio
na certeze escadaverica de ser vazio
no querer penetrar-te em mim
no rolar atormentante do sem fim
do nao saber sentir o que ja senti
na paragem forcada do raio-luz
no vertiginoso do sangue nas minhas veias
na hora madrugal que se seguira
na dor de ser o que sou
no anseio duro do enganar-me
no medo nu de ser so
no conjunto dramatico dos espectros
na condicao acerba do sem "eu":
so, so e so

Confissao – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Tu es-me para alem da materia
sinto-te no super consciente
volatilizaste-te no meu sangue
vais-me ate a essencia
e roubas-me o meu "eu"
negas-me a minha definicao
absurdas-me mais que paixao
transformas-me em Orfeu
es dor
amor

Olhar feiticeiro – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Triste ou brejeiro
distante ou fagueiro:
olhos limpidos
hoje esvaidos
manha perdidos
belos sonhadores
dois grandes senhores
olhos tiranos
bem amados
nostalgico olhar
quero-te amar
olhos de paixao
amado coracao
olhos de saudade
tende piedade
de quem se amargura
por vos de ternura

Sempre igual – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Farrapos de melodias tristes
leme partido, esvaio-me confuso
na solidao cruciante do mundo
tento-me fugir, mas alcanco-me algures
carrego comigo todo o meu "eu"
e anseio a repousar no peito teu
insatisfacao saturante no ar
leve sentimento de abarcar
promessa de pronto recomecar
mas sentir-me acorrentado
e desanimado, vencido
prostado de vencido?

Fantasia maritima – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Pelo silencio nocturno de nostalgia
vai-se-me desfraldando a fantasia:
sonhos com viagens para outras terras
em tempos distantes de caravelas
no silencio pesado das paredes
julgo ouvir vozes salgadas dos mares
ventos assobiamters nas velas
placidez nas noites estreladas
todo um mundo separado de mundos
onde o sonho ganha a realidade
a vida parece mais verdade
e a morte me ronda em espectros
parto com a alma saltitante
e chego com o coracao delirante

Nada – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Sinto-me com o horror que a aranha inspira
amo tudo o que vem da sombra
e passio o espirito no nada
minha cabeca pende sobre o peito
fujo a mim mesmo e so vejo noite
receio-me e procuro-me em vao
ancestralizo-me e de medo arrepio-me
baile macabro de espectros em linha
senda perigosa de negacao de vida
porque me vejo tao triste e esvaido
serei acaso eu tambem uma sombra?
terei eu medo subterraneo de existir
nao conseguirei jamais lograr descanso?
e julgar-me eu triunfador do nada...

Zero – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Passo de corpo viril e altaneiro
um sorriso azedo nos labios
e um vacuo de sepultura na alma
passio em mim o resto do que sou:
olhos vagos, de olhar sem ver
sensibilidade de indiferente
coracao que mente a amante
engano de querer sem vontade
cara inexpressiva, meia morta
choro sem lagrimas, de esgares
gosto nauseabundo na boca febril
tedio das coisas incolores
fel das coisas acidas
morte nas recordacoes distantes
e cheiro profundo de morte no ar

Recrear-me – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Talvez que em partindo me encontre
conseguindo esquecer-me de quem sou
banhando-me no fluido do olvidamento
seja o viajante incansavel e descuidado
de terra em terra, renovando-me
gente nova, coisas novas, fascinacao
poder so do firmamento e do mar
vastidoes sem fim e nunca vistas
renovar perpetuo de panoramas
visoes de tempos remotos ao presente
acontecimentos sempre novos e rapidos
tempo finito em fronteiras leves
recreando-me, depois de me apagar

O meu "destino" – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
A alma batida em silencio fechado
deixo escorrer o tempo melancolico
o sangue corre-me leve e insentido
e o coracao, triste de magoado
mais parece um castelo sepultado
ah, silencio feroz e bem amado
so tu podes dar descanso a um condenado
tenho o olhar morto de parado
mas o pensamento leve e alado
as coisas tomam vida de subito
e eu vou-me feito seu escravo
ganho asas e em voo fascinado
sigo o caminho do meu "destino"

Esquecer-te – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Corro por montes e vales
vilas e cidades, terra e mar
queria ser o vento, correr pelo ar
espalhar bem longe meus males
e voltar para ficar
poder entao descansar
liberto de minhas magoas
capaz de querer comecar
sem mais querer acabar
chicotear-me nas costas
para tentar recordar
a forma de nao te amar

Afinal – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Olho em volta:
vejo-me irremediavelmente so
ninguem se me aproxima
e de isolado mais me distancio
no vale da vida afasto-me
e entao vejo quanto sempre fui so
palpitacoes enganadoras as da vida:
pensa-se ter chegado, alcancado
e o caminho, coalhado, e isolamento
ouvem-se vozes, mas nao me falam
procuros almas e so vejo mascaras
todos somos sos, enganados
mas nao queremos reconhecer
lutamos, esbracejamos no nada
mas a sombra persegue-nos
e por fim a morte toma-nos

E ja nao me es – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Lenda inebriante de ti mesma?
incompreensao profunda e torturante:
nao te possuo e nao te esqueco
vivo-te e nao me es
ja quase nao te posso imaginar
e sei que existes e nao me es
vou-me depurando e mortificando
desconheco metas e prossigo
sublimo-me em expiacao morosa
e renovo-me, acabando-me, e nao me es
ultrapasso-me e sensibilizo-me
toco barreiras de dor deleitosa
ensombro-me no inacreditavel
poetando-me, e ja nao me es

Quem es? – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Quem es, que me vens com a musica?
quem es, que me trazes poesia?
quem es, que me arrebatas para o belo?
recordo-te no tempo continuo
agistas-te em mim e nas coisas
quase te corporizas nas recordacoes
infiltraste-me no sangue e vivo-te
sonho-te permanentemente em imagem dorida
serves-me de acalento no tempo oco
seguras-me no cair do tedio da vida:
ideia, frase, imagem, quem es?

Ainda te amo – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Triste te foste
li-te nos olhos
amavas-me
amava-te
a vida e assim:
quando nascemos infelizes
penamos, tristes vivemos
pobre vida de escravo triste
angustia agreste, descomedida
somos calcados, incompreedidos
triste saudade da liberdade
infeliz dor de amor perdido
coracao torturado
alma chorosa
saborosa dor
purificante
melodia lenta
morte benquista
vida longinqua
pesada e morta
como nao chorar-te?
ainda te amo
te quero bem

Valsa triste – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Bailemos, a valsa e divinamente triste
mas bela e nossa, bem nossa
a valsa corporiza-te como te idealizei
triste e bela, muito bela e triste
leva-me ate regioes ignotas e misteriosas
sonho e vivo, oico e recordo-te
branquidao nevosa e transparente
jogo de cores harmoniosas, luz, muita luz
e tu no centro, conica e absorvente
baila e chore, orvalhiza tuas lagrimas amadas
da-me o calor do teu coracao
cobre-me com a tua alma
mas baila, baila mais a valsa
que e triste, muto triste e bela

Adeus – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ouve o meu grito de despedimento
o meu grito de angustia sentida
o meu grito de tragedia humana
o meu grito de adeus impossivel
adeus, "os fados" sao mais fortes
por nada queria, mas tenho de partir
a vida me chama e eu nao a quero
queria antes nao partir, acompanhar-te
continuar enfeiticado nos teus amados bracos
colher a vidaz dos teus meigos labixos
maviar-me no fluido da tua querida voz
pulsar por ti o meu coracao ardente
sentir correr o tempo dormentemente
e cantar-te o conto triste da saudade
mas se sempre me tem de ser assim?!...
escuta o recital de minha alma
ouve os coros sensibilizantes e...
adeus!

Liberdade – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Feroz sonho de doce liberdade
visao titanica de febrilidade
sou livre porque sou rebelde
e sou escravo da tua maldade
duas vezes infeliz amante
que nem liberdade
nem a tua amizade
a minha verdade
a tua saudade
mas... teatralidade?
vou ver a tua falsidade
vou comecar a minha realidade

Luz – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Luz, luz, porque me feres
nao quero mais sentir este arrepio na espinha
ha gemidos a mais, minha mae sofre
ha doentes que se despedacam
porque escondes a corrupcao?
deixa-me na escuridao, preciso de ver
mas sigo a minha rota, quero liberdade
e preciso vencer, ja quase te venco
ja sei porque me ofuscas, como me iludes
e quero vencer - quero-te, mas sincera
nao adulterada: alumia minha alma
da-me paz, nao me guerreies com tragedia
quero enfim viver, quero ver todos felizes
no amanhecer nao quero visoes do apocalipse
luz, onde estas? Apaga-te luz maldita

Quando – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ai cavaleiros da esperanca, cavaleiros da esperanca
para quando os cavaleiros do absinto
cavaleiros da extensa pradaria do bem?
pradaria da verdade, liberdade e paz
cheia de luz, compreensao e beleza
vida bela, amorosa e plena de significado
vida com fim, mas fim dum fim
vontade indomita satisfeita
correr benquisto de tempo facil
quando os cavaleiros da verdade, quando?

Falsos – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Falsos: gestos falsos, frases falsas
infelizes fazntoches, desgracados
tragediai, o banquete da vida esta servido
morte, nao te temo, espero-te
minha boca sorri-te, escarninha-te
se a vida nao e luta digna, morra eu
mas lutando pela liberdade
nunca a metira, a verdade que doi
a verdade acalentadora, exacta
real, plena de vida certa
verdade vivificante, liberdade, igualdade, paz
repetei a cotidiana tragi-comedia
fantoches desgracados, falsos

Vem querida vela – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Porque demoras tanto, vela querida
vem, que meu coracao anseia-te
vem, que tenho minha alma aberta
o vento ameno vespertino te trara
ele e meu amigo e te lestara
nao ves como e triste o meu "destino"
nao ves como peno de saudade?
tu es a minha estrela polar, vem
Iemanja te guiara e eu receber-te-ei
nao quero mais sentir a tristeza do escravo
tu me levaras ao porto da verdade
tu me daras o repouso tao ansiado
e eu entao serei teu escravo
so teu, que outro senhor nao quero
eu te saudo, e quero que me leves:
minha estrada sera o mar
minha guia Iemanja - eu a amo
me consagrarei a ela, dos cabelos belos
deusa dos escravos negros, meus irmaos
amante e mae, que a outra nao quero
nasci para ser maritimo:
ao mar amo pelo sal, pela beleza, pelo enleio de poesia
amo-o e sou fascinado, compreendo-o
ele me transcede, eu o temo
tragar-me-a, que me irei a afogar
irmana-me subterraneamente com os escravos
negros, mulatos, bons, sinceros, leais
com eles lutarei e darei a minha vidaz
amo-os: como eu, penam, os pobrezinhos
sofrem as amarguras do meu cativeiro
amam, lutam, vivem e morrem
vem vela querida, salva-me da masmorra

Espraio-me – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Alinhavo palavras incolores
espalho entre as massas o meu sentir
e colho ingrato fruto da dresgraca
mais se me dera nao ser eu
jogar em determinantes ilogicas
mas obstar ao derradeiro despedacar-me
procuro-me explicado na linha recta
e noto a transfiguracao alheia
serei eu a quebra da minha ideia
ou os outros negar-me-ao razao?

Num outro mundo? – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Jogado as ondas da minha inseguranca
eis-me transposto ao absurdo
que e real, que existe?
o mundo real da minha mente
ou mundo disperso do meu concreto?
vejo-me realizado no incontido
quero-me lucido e entonteco
assim cruzando-me procuro um ponto
e creio que esse ponto nao existe
te-lo-ei apenas na minha alma
ou sera ele num outro mundo?

Suspirar – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Meu pranto derramado no algido luar
procuro a estrela mais brilhante que o ceu tiver
para conseguir nao te amar
quero a lua mais fria que houver
para me aquecer na triste madrugada
vou-me a conquiste do impossivel
e pressinto-te no espasmo de desejada
ou negar-me-ei na meta do intransponivel?
serei a frustacao do querer sonhar
e nao ir alem do suspirar?

Tudo acabar – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Isolamento quente de equilibrio psiquico
ha correntes de nervos no ar abafado
piloto minha lugubre nau fastasma
no encalhado do mundo que me cerca
ha olhares que me devolvem sinceridade
e esgares que me ferem a sensibilidade
como para viver fosse essencial representar
eis que todos nos inclinamos a amar
mas ate quando tanto enganar?
sera que havera medo de tudo acabar?

Na proxima esquina? – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Olho a minha mascara de desespero
a minha mascara de cansaco humano
-cansaco acumulado dos seculos-
ansia fremente de remodelacao
e procuro no amor o esquecimento
e tu que nao vens, nao apareces
o tedio e tua sombra ou mensageiro?
ja foste, es, ou seras minha?
ver-te-ei na minha solidao?
encontrar-te-ei na minha recta
ou escondeste do meu caminho?
estaras na proxima esquina?

Enternecer – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Subito as coisas ganham significado
minha toada se enche de colorido
eu fico resplandescente de vida
expulsando toda a amargura
seras tu que me abres os bracos
e eu sou arrebatado de impulsos?
ou seras tu que me acalentas
e a luta me ve com novas forcas?
quizera bem remocar-me
corrigir-me recuar-me
nao ter barreiras, amar
primitivo de fantasiar...
mas a duvida ha-de morrer
meu amor te ha-de enternecer

Monstros – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Monstro titanico e tirano
esmolar-te-ei emprego?
oferecer-te-ei o meu suor?
ser-te-ei escravo de sangue?
triste "fado " de sorte infame
ja sinto asco de perdao
tenho de rojar-te suplica
e tenho de suplicar-te vida
deus humnao infeliz
das-me nausea de pensar-te
e lembras-me a velha comedia:
escravos felizes de cegos
e adulteracoes de monstros

Chuva – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Chuva, porque nao lavas os homens?
es agua, vens do ceu...
es amaldicoada, mas es necessaria...
cais na terra, enlameiaste?
mas vais para o mar...
sim, foge chuva, o homem e louco:
ora te anseia, ora te despreza
e tu cais, gota a gota, obediente?
seras tambem ja escrava?
ao homem assim lhe apraz
mas nao, es livre:
tuas perolas cristalinas caem
foges do homem, ele te faz lama
mas tu revoltaste e vences
tambem eu queria vencer:
luto, esbracejo, mas...
chuva, porque nao lavas os homens?

Has-de desesperar – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Que fizeste a minha sinceridade?
nao sentiste a minha lealdade?
deixaste que a minha alma sonhasse
aprisionaste o meu coracao
e... premeditaste a traicao?
ou esperaste que te nao amasse?
tua mentalidade facil
o teu sentir burgues...
nem amor achaste dificil
nao me quizeste cortes...
has-de sofrer e has-de amar
has-de rir e has-de chorar
mas quando nao gritares
teme! ve que estas so... has-de desesperar

Ideal frustado – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Correm ventos libertarios
corre o sangue formando rios
corre o povo a praca deserta
corre o suor na minha testa
correm arautos pela liberdade
e corre a forca da fria verdade
sonhos que se apagam e nascem
luzes que brilham e logo morrem
calor do meu sangue enlouquecido
e morte de ideal fruatado

Eu e tu – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Eu
maldita vida de escravo
fria escuridao de forca impotente
abjecta exploracao do homem:
seres aturdidos de desesperados
inseguranca de vontade esvaida
e tristeza estranha de angustiante
e tu
natureza insondada e virgem
tu
amor vago e misterioso
tu
paixao-odio-anatema

Encontrar a vida – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Viver o cotidiano macilento
ver parado e acorrentado o tempo:
sem horizontes validos
sem sentir ideais acarinhados
sem ansiar e sem sonhar
-mesmo o simples divagar...-
quero partir, ir longe
nao ser a onda de angustia
que inunda a minha alma
e me satura, queimando, o coracao
revolver tudo, procurar
querer encontrar a vida

Imperfeito – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
No pesadelo dum tempo inconstante
ha suor no tributo da tua oferta
ha orgulho de sangue na minha recusa
nego-me a tua ansia da minha carne
fujo a nausea da nossa orgia
que queima a sede do meu espirito
nao quero mais sentir-me saciado
quero-me procurar incessantemente
quero olhar-me sempre insatisfeito
quero sentir-me imperfeito...

Lutar – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
A tua face macilenta
a tua expressao resignada
toda a tua curta vida
nada diz a minha fuga
a minha grande revolta
ao meu quere invadir-me
pois eu quero libertar-me
acorrentas-me no teu porto
envolves-me no teu fogo
das-te-me e eu quero procurar
apaziguas-me e eu quero lutar

Minha alma – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Choro de lagrimas espinhosas
inunda-me, minha alma roja-se
cantar de notas estridulas
evade-me, minha alma debate-se
forcas todas feitas de sombras
enfortalecei-me, minha alma guerreia-se
porque mentir mais?
porque enganar-me mais?
perdi, a vida venceu-me
sou o marinheiro da tempestade
nunca alcancarei um porto
a minha vida secou-se
a minha nau e esqueleto
porque o mundo e obsoleto
morre musa, o mundo e tetrico
alma vai, o mundo e inferno
cala-te musa, os faunos gritam
e todos os demais se calam

Morte – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Eternidade, porque tardas tanto?
acaso o tempo nao me viu sofrer?
voguei cem anos, mil anos
nesta vida sem principio e causa?
ou eternidade, seras tu a vida?
as tuas portas sao ao poente
e estas em longinquo nascente?
como compreender-te se nada te pedi?
nao ves que foi a vida que me trouxe
e e ela que me nega compreensao?
mas nota, finalmente ve
que nao podes tardar mais
nam agua, nam pao - morte!

Escravos – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Na profunda escuridao do deconhecimento
nas trevas infelizes da incompreensao
labutam os escravos da desgraca
sempre ne expectativa de algo redentor
riem dos fracassos proprios e alheios
riem e vivem, labutam e morrem
pobres palhacos da vida ingrata
o circo e a vida, a meta e a morte
o riso e esgar, a espera e dor
ou abrem as veias ou vivem calcados

Pela liberdade – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Pior que a colera do vulcao
liquefarei o odio dos outros
com a forca da certa verdade
lutarei a bestificacao do todos
respirarei ar nunca inventado
dilacerar-me-ei em chagas
beberei o meu proprio sangue
encouracar-me-ei a piedade
gargalharei a miseria humana
mas lutarei sempre pela liberdade

Natureza humana – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ai, sucumbe natureza humana
miseravel tristeza de angustiosa dor
ve humilhada a tua dignidade
ve chicoteada a tua inteligencia
tu nada representas, es nula
baixas mais que o valor do dinheiro
es inferior a todas as coisas terrenas
sofres e fazes sofrer, es anatema
iluminas e fazes sombra negra
quase voas e afundaste
es particula universal, mas miseria
e so a morte te libertara - morre!

Vida – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Na tentativa va de boa vivencia
eis-me destrocado em violencia
uivam os lobos da alcatei agreste
voam meus pensamentos em liberdade
fecham o circulo os soldados malditos
revolto-me e nao lhes oico os gritos
perverte o mundo o mal feroz
ergo-me firme contra esse mundo atroz
e por mais que eu avise os mercenarios
mais eles se enganam com cenarios
tristes destrocos duma vida errante
sois tudo o que conservo de possante
pensamentos certos em vida negativa
quando me dareis vitoria positiva?
quando os seres humanos vencerao
na luta em que os parias sempre os subjugarao?
quando triunfara a humanidade
de tao penosa e morosa calamidade?
quando a tempestade da esperanca
sera certeza firme de bonanca?

Vivo – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Porque espero compreensao alheia?
acaso nao terei licoes concludentes?
porque espero ao dobrar a esquina
uma nova paisagem do mundo?
pobre alma, quanto te sofro!
esperanca angustiantemente desesperada
nada muda, so tu te renovas
mas nao te sacias ou desvaneces?
sempre viveras, te alimentaras de ti propria
ate eu cair, desalentado
mas como me es preniciosa
como te sofro, continuamente
cada dia mais desiludido
amarfanhado, triste de insatisfeito
luto com o poder circunstancial
de todo um mundo egoista
mesquinho e ferozmente revoltante
vivo contra o erro ilogico e titanico
duma certeza cruel de nada
cum medo atroz e incerto de existir

Tu – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
O tu que queres ter forca de olhar
tu que pareces querer derrotar-me:
ve que nada conseguiras
o meu pensamento e mais profundo
a minha alma percorre outras zonas
ja vi poder igual ser destrocado
ja tercei minhas armas no mesmo campo
agora estou enlutado, a vida reclama-o
todo o rolar do teu enleio sedutor
ja nada vale, estou na minha fortaleza
a verdade e-me amante inebriante
por ela dou a vida e desprezo a morte
sou o combatente da resistencia
sou resistente ao erro e ao amor

Faunos – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Cantai, gritai faunos, a vida e vossa
mas atentai: no declinio da etapa
quando a morte se vos apresentar
ai, nao temais, sede fortes ainda
nao esbracegeis como inocentes:
sois culpados, a lama vos mancha
tudo lhe deveis, sois parte dela
nao vos ergueis mais que ela
mas pensais andar nas nuvens
de nada vos servira encouracar-vos
ela e vossa ama, tomar-vos-a
disfarces, com que hoje vos acalentais
ser-vos-ao desnecessarios, cairao:
ficareis sos, vos e ela
frentea frente, imutaveis
e vos, primitivos de nus
sentirei todo o peso da vida:
todo o recalcamento que agora fazeis
vereis coisas que nunca vistes
advinhareis prazeres que nunca sentistes
mas tudo leve, muito leve, por momentos
e entao a vida que sempre levastes
ser-vos-a fardo pesado
muito pesado, que vos afundara
lenta, tumultuosa e sufocantemente

Trevas – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Dissipai-vos trevas, o homem e racional
ide longe, o homem precisa de viver
precisa da luz que lhe pertence
fria e inospita noite da humanidade
luz e calor, alegria perene
para alem da obsessao, mais alem
corre o fluido do pensamento facil
nas trevas duma mentalidade curva
ha a explicacao de todo um povo
fugi trevas da pobre mentalidade
deixai o homem entregue a sua vida

Luta pela vida – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Na volta dos segundos de sempre
gira o tema da vida cha
olham-se os homens, medindo-se breve
revolta a frieza da luta pela vida
alerta os sentidos para os fracos alheios
nao ha ajuda de humana autoria
dentes cerrados, suor em abundancia
todos se apegam a podres postulados:
vida de bem, vida de sociedade
horas que demoram, horas ligeiras
forte ansiedade, corrida infeliz
ignorancia explorada, mentalidade maldosa
forcas de mandatos, fraquezas tristes
abjecta exploracao, trope vivencia
vida de vicio, vicio de desespero
desastrosa obsessao, demente idolatria
humanidade errada, homem sem vida

Outono – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Chora escravo da vida dificil
geme infeliz da pobre incompreensao
lamenta a vida sem sono profundo
a vida tormentosa de pesadelo constante
no outono nostalgico das folhas que caem
pensa na incerteza do futuro humano
sonha a beleza do amor frustado
sublima-te na pugna da resistencia
procura-te humanamente perfeito
ideaaliza-te na tetrica revolta
na revolucao que redime os homens
no aperfeicoamento da multidao
tenta a constancia que renova a vida

Odeio - amo – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Odeio os meus labios das palavras que mentem
odeio o meu cerebro que nao raciocina
odeio a minha alma sem anseios de beleza
odeio a minha vontade desejos imediatos
odeio a minha fantasia com sonhos vazios
amo os meus labios das palavras sinceras
amo o meu cerebro da verdade humana
amo a minha alma com sede de justica
amo a minha vontade de querer o bem
amo a minha fantasia de sonhos libertarios

Oh escravidao – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Do espirito em movimento impetuoso
vem-me o vulto do homem que sofre
sua mascara emcobre-lhe a alma
mas eu vejo-lhe os sulcos atrozes
os sulcos da escravidao secular
oh escravidao tetrica da mentira
deixa o homem entregue ao seu "destino"
permite-lhe a sua vida natural
nao o obrigues a odiar amando
faz-lhe cair a mascara do cinicismo
deixa-o ver o falso dos seus idolos
ensina-lhe a verdade, da-lhe consciencia
liberta-o da prisao, da-lhe liberdade
da-lhe a sua vida e nao a sua morte

Renascer – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Eis-me no vertice do contraste:
cotidiano fraudulento desagradavel
e renascer no quadro evasivo
sonhos simples de longes saudosos
perfuracao dos problemas diarios
desejo de viajar para o alem
e raizes pestilentas de ficar
vida, ternura incompreensivel
porque assim, em forma eterea?
sentir, instante fugidio de sonhar
mas onde a verdade, o proprio existir
no impalpavel da pedra historica alvinitente
ou na palpitante paisagem distante?
mas um pouco de sonhar, enfim
permissao de fuga a miseria humana

Pobre incompreendido – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ah mundo irrascivel e tetrico
ah tristeza de pobre incompreendido!
porque procuras bem na humanidade
porque nao mascaras a tua sensibilidade
porque nao mentes, endureces e ris?...
so nao aprendes esta licao real?...
ve o que fizeram da tua vida simples
repara a que ponto te conduzem?!
cre na dureza da humanidade
enfim, olha friamente em redor
respira cinicamente a vida
ri dos sentimentos dignos e bons
e chora todo o teu tempo perdido

Nao mais – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Na curva do caminho aspero da vida
o homem pensa na fuga da evasao
nao mais prisao do espirito revolto
nao mais servidao da miseria imposta
nao mais condicionalismo as leis tiranicas
nao mais sofrimento de existencia viciosa
nao mais vida de trevas escravizantes
fuga a morte viva de desespero
alegria de liberdade vivificante
deleite de sonho de ajuda fraternal realizada
sentimento perene de vida util
escolha humana de amor feliz
vida consciente, morte esperada

Nao quero – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Nao quero mais apagar em ti
no teu corpo, no teu sexo
o fogo do meu espirito, da minha revolta
nao quero mais olvidar, nem por momentos:
o desespero da minha incompreensao
que os homens sejam cinicos
iguais na tirania das proprias revoltas
iguais antes e depois, "napoleoes"
imperialistas e sadicos, animais
pessoalistas, ilhas de podridao
que rastejam a sua dignidade
que elevam a sua indiferenca
a maldadde humana, bestializada
elevada a grandes feitos belicos
a incapacidade exibida sempre
a morte por vida, o mal por bem
Nao quero!

Finalmente – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
E finalmente eis-me na linha da razao
ja conheco a causa das vossas frias reaccoes
o circunstancialismo triste da vossa mente
vossa mentalidade restrita ao deus dinheiro
vossa incursao no tradicionalismo historico
finalmente conheco a vossa prisao a idolos
o vosso chauvinismo execrando pelo imediato
vossa negacao a verdade espiritualista
vosso apego as seguras formulas consagradas
toda a tematica suspeita do bem
toda a recusa duma procura consciente
o medo da solidao, do saber e da morte

Sozinho em mim – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Quero, enfim, acabar com tudo
ja que a morte me nao poe fim
estou esgotado, tristemente prostado
da minha resistencia humana
da minha forca de vida sem limites
do meu representar patetico no mundo
cheguei, a minha caminhada foi longa
muito longa e sempre igual
a vida mentiu-me, escarneceu-me
sao tudo ruinas, ja nada resta
as gentes sao coisas amorfas
as coisas sao gentes com vida
grito as gentes, atacam-me as coisas
desdenho as coisas, gritam-me as gentes
olho-me nostalgico, sem lugar para mim
morrem as gentes das coisas distantes
e eu acabo-me sozinho em mim

Olhar – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
No calor da reaccao ao frio invernal
na fuga triste da solidao berrante
amei-te, olhar doce de rosto trigueiro
aonde quer que vas, passeante amada
volta a tras, devolve-me o olhar meu
tu nem o viste, deixaste-o morrer...
agonizante espinho que morre em mim
ansioso de contar-te a ti, de outra patria
o que sinto gritante dentro da alma
mas vi-me desperdicando o incontido
vi a tua gelada reaccao... e menti
quis elogiar-te, cantar-te, glorificar-te
querendo amar-te, contar-te e recordar-te
ve, ve o preco da tua fria negacao
escuta o eco feliz do meu olhar
pois, no final, me iluminaste
sorriso saudoso da boca de carmim
sorriso grande, de ave de largo voo
foste-me delicia no mar de amargura
resgataste-me da minha insipidez
esbraseaste a minha inspiracao

Depressa – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Maior que a furia sinfonica
mais leve que o proprio pensamento
mais feroz que a tetrica visao
maior que o poder da morte
desdenho-te vida do medo ao nao
quero ser o nada da longa morte
quero morrer antes de nascer
prefiro o gelo tumular dos mortos
a negacao perfurante das raizes
sentir-me como o oco do imaterial
embalar a minha lenta natureza
mas sonhar a beleza da satisfacao
acordar amanha na prisao dos teus beijos
deixar-me oscilar no calor dos teus bracos
e expirar no leve rocar dos teus labios
eu sei, tu me amas ate ao infinito
tu me seduzes nos liames da tua alma
odeias-me na luz da minha revolta?
perdou-o-te a insensatez do teu espirito...
mas morres a minha lembranca
e pela pureza do teu coracao grande
eu nego-me e reduzo-me, ultrapasso-me
fantaseio-me e sublimo-me, amo-te
volta, que a festa do nosso amor comeca!

Mensageiro – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
E no dia intenso de feroz temporal
quando os meus nervos fremiam
minha sensibilidade me exaltava
eis-te enfim que chegas mensageiro
foste mais um estrangeiro pensante
eras-me indiferente e ficaste amigo
encontrei-te a pulsar a minha ansia
a fugires ao mundo de pesadelo
ao cortejo dos atrozes espectros
e comigo partilhaste a senda
mas, cuidado irmao, a vida chora
ha medo da morte, da fome e da sede
o mundo resvala, a armadilha vive
temos o caminho repleto de cadaveres
cercam-nos os negativistas da razao
e so a sua linha nos pode salvar...
alcance-mo-la, nao esmorecas
perante as fronteiras, luta
quando agonizante, bebe o teu sangue
se te aprisionarem, evade-te
se morreres, chama-me, heroizar-te-ei!

Sim – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Mas, qual vento ululante da noite
nasce o meu sorriso aberto da amizade
minhas palavras fazem eco nos outros
por fim, quebrar-se-ao as barreiras?
viveremos unidos o mesmo clima?
respiraremos o ar liberto da compreensao?
meu peito ofereco ao troar do canhao
meu sangue dou pelo preco da evasao
que a minha vida pague o anseio de justica
na escuridao da forca da mentira
obseco-me na sublimidade da verdade
nego a vida, para amaldicoar a morte
quero o bem, para espezinhar o mal
prefiro esquecer, a sentir o frio do desprezo
anseio ao todo, para derrotar-me em parte
e vou mais longe, afundo-me a mim,
ser de tragica sede de vida grande,
para alcancar um paraiso a humanidade
despedaco em parte o meu ferreo juramento
nego-me a minha parca definicao
e num so golpe, em soluco breve
abro as entranhas e penetro-vo em mim

Insonia – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
E o mundo sossega no sono que nao me coube
o mundo do silencio na vastidao dos seculos
sinto em mim os suspiros dos libertos do cansaco
vejo a tristeza acorrentada da existencia humana
ternura pura da avo pela neta aconchegada
ressonar de velho marinheiro pesado
profundidade de sono jovem se magoa
e a minha insonia arquitecta sonhos no vacuo
justica de libertacao do homem perdido
anseio de fuga para terra de vida plena
fim de dubia situacao de incompreensao
acalmia de nervos em vivencia feliz
incansavel procura de fim de duvidas
luta titanica entre bem e mal
gosto amargo na boca de falhado injustamente
alongo-me na pugna da resistencia
viragem repentina no tempo pensante:
eis-me na desilusao da juventude sem norte
dor torturante de angustia incontida
mar sem bonanca de vida sem causa
vento ululante na minha solidao - silencio!

Julgamento – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Eis chegado o momento do julgamento:
alinho-vos sem escalas, parados
fixo-vos nos vossos pensamentos
no mais intimo das vossas naturezas
disseco-vos nos vossos gestos e atitudes
leio-vos aquilo que vos nao gostais:
frieza, triste verdade de vos
insensibilidade, contradicao de bem
mentira, desumanidade de seres
bestialidade, pobreza mental ignorante
maldade, pior vivencia mundana
sempre quizestes criticar-me
sempre fostes impavidos juizes
e agora faco-vos eu julgamento

Lagrimas de mim – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Deambulo ao acaso pelas ruas
gentes e gentes freneticas me olham
e ninguem parece notar-me
olhos vitrios de sofrimento
lagrimas mal reprimidas
risos maus, de escarnio
risos frustados, de mascara
gargalhadas nervosas: viris?
gargalhar sofisticado, mundano
e ninguem ri, todos passam
mas eu rio e rio mais:
rio de mim, do meu infortunio
do meu deambular de angustia
em que as ruas se me transformaram
da minha vontade de galgar as horas
essas horas vazias da vida
essa vida de muitos pensamentos
esses pensamentos de tudo e de todos
vida de pensamentos, pensamentos
de gentes, gentes de riso, riso
de lagrimas, lagrimas de mim!

Ai vento – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ai vento, ai vento, porque nao levas meus ais?
porque nao levas a pestilencia humana?
porque nao purificas o odor do mundo?
nao ves como odeio a vida?- porque a amo
nao ves como odeio a liberdade? - porque a anseio
nao ves como odeio a morte? - porque a desprezo
nao ves como me calo a tudo? - porque quero gritar
nao ves como invejo a tirania? - porque a odeio
nao vento, nao fujas, ouve o meu sentir arrebatado
ve o meu querer de fundo sao, o meu grito tragico
a minha negacao de mim e de toda a humanidade
o meu fremir de luta primitivista intensa
a amplidao do meu amor desumano a verdade
a tetrica fuga a misaria de todos os homens

Ah primavera – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ah primavera sem flores, primavera da minha vida
para ti corre em vertigem todo o meu sentir sem nectar
sem seiva, numa vida dolorosa em prostracao perdida
ja tudo me negaste e os ventos continuam correndo
sem alegria me impuseste este sentir de nada
este extravasar da nao aceitacao humana
has-de florir em sorrisos talvez um dia longinquo
mas sera entao tarde, muito tarde para mim
o crepusculo nao me entusiasmara, de tardio
e eu serei a sombra na escuridao do mundo

Obrigacoes e direitos – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Quando me libertarei de obrigacoes?
obrigacao do meu viver de infelicidade
obrigacao de assistir ao espectaculo alheio
obrigacao de fingir de gostar das coisas
obrigacao de forcar a imagem de vida
obrigacao de me moldar ao fraco dos outros
ate quando os homens serao obrigados?
obrigados a desconhecerem a ignrancia propria
obrigados a representarem que vivem
obrigados a crer naquilo que esqueceram
obrigados a calcarem-se e ao proximo
enfim, obrigados a nao ser o que sao
ah, obrigacoes de todos nos e de ninguem
lembrais-me pesdelos de fantasmas
existis, porque vos e imposto
sois aquilo que ninguem quer e exige
representais o fundo falso da humanidade
mas, ai de vos, um dia afundar-vos-eis
e tomareis entao o lugar dos direitos
dareis as maos irmanados e sereis bons
porque o homem exigir-se-a e recebera

Mais alem – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Mais alem, muito alem disto
da minha vida de pesadelo continuo
sonho a minha vida libertada
segundos que nao pesam e voam
vida que se escoa com leveza
alma em quietitude de extase
seguranca de certeza fraternal
ah alem, ah vida gostosa de amor
vem, vem ate mim cheia de imagens
inunda-me da tua paz redentora
ensina-me o caminho da ventura
toma os meus passo e leva-me

Fim do fim? – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
No cumulo da miseria material
sofre o homem feroz traumatismo
olha em volta totalmente insensivel
e o humanismo falha-lhe em significado
nao mais amor, beleza ou vida certa
ele teme tudo e teme-se a si proprio
revolta-se ate paroxismos incontidos
sonha azedamente o bem possivel
e quase grita pela sua dignidade
qual furia de ardente tempestade
arrasta os seus sentidos doentios
vai da ideia libertadora plena
ate ao esgotamento do sangue negado
cobardia valente de vida morta
indiferenca de vontade indomita
cavalga febril visao atormentante
saboreia pesadelo inaudito
roja os ultimos farrapos de vida
e contempla o abismo imenso de mal

Morre esperanca – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
E entretanto a esperanca queima-me interiormente
nem o fracasso, nem este abandono forcado
nada me faz parar no tempo de sempre
es escabrosa esperanca, mas forcas-me
a vida nega-se-me e tu corriges a propria morte
ganha mesmo ao desalento a tua vitima
e impoes a tua lei ate ao nada
talvez saibas melhor que eu o fim de tudo
mas eu sou consciente, nao te quero
e sei que sempre, ate ao fim, te reterei
por isso, morre esperanca, nao te creio!

Tudo do nada – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
A clarividencia de falta de liberdade
da fruste dignidade enganadora dos outros
da minha feroz e marcante consciencia
nada!
terrivel aceitacao inaceitavel de tudo
raiva cega interior de estado indiferente
quais as forcas humanas que me assistem?
como suportar estas ansias de longes nostalgicos
de unica vida promissora em alem negado?
ate quando sentirei a aberracao desta vida?
sim, correi segundos de palpitacoes vorazes
enchei ainda mais a taca do meu esvair
eu ficarei, o tudo do nada me impoe...

Tempo – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Tempo lento de convalescenca perigosa
e a vida se nega porque eu lhe fujo
perseguicao mortificante e asquerosa
luto nas malhas dificeis e impiedosas
degladeio-me e o mundo me acua
saudade e pena de quem o merece
mas aversao rigorosa ao negativismo
e para quando o renascer ansiado
aurora bela de vida sentida?
prisao terrefica de espirito vivo
coracao veloz em noite de choro
amor sentido por alma primaria
mas barreiras ferozes circunstanciais
deixai-me o meu "eu", que nada vos pede
no tempo caduco da miseria humana
tudo se passa, so eu fico e peno

Amor grande – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
E eis que chegaste, figura querida
o tempo arrastou-se-me contristado
e eu sofri o suplicio de sempre
chegaste e confessaste, tuas penas choraste
tua miseria chorei, minha alma gemea
meu ser acoitaste, minha alma elevaste
um choro de lagrimas me deste por premio
e lagrimas trouxeste aos meus olhos secos
mas ansia de bem, de querer verdade
corrida benquista de sinceridade
humana fraqueza e simplicidade
tudo me ditaste e nada me exigiste
sobre a tua cabeca, sobre a tua vida
me foste inspirando o que sempre sonhei
amor verdadeiro, sem luta, so puro
amor recolhido, sincero, sentido
amor singelo, bem triste, mas grande

Partiu e nunca mais voltou – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ha leve quebra na labuta
lembranca do que seria a vida
do que ja foi e do que ela prometia
mas incerteza, cruel desvario
e a imagem surgiu com o golpe de frio:
morreu e nunca mais voltou!
certeza agreste do que ja passou
saudade breve
no outono que recrudesce
porque pai, porque assim?
partiste sem me dizeres adeus a mim
estava eu longe e perto, esperancado
mas o tempo veio, deixando-me quebrantado
nunca mais, nunca mais: grito maldito
qual anseio tetrico de querer ficar
e conciencia de ter de rumar
ou a morte impiedosa vir arrebatar?

Bocage – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Vate infeliz, os homens desconhacem-te
fome, frio, sede de justica
insonias atrozes, sombra de ti
socobras nas tempestades dos mares
e na tua de consciencia limpida
inclemente mundo que te derrota
gente maldita que se ofusca com ouropeis
e nao ve as centelhas perenes do teu genio
ah dor, ah dor de tragica grandeza
coracao sufocado de incontida magoa
ve a tua vida tristemente destruida
esqueceu-te a que pela alma conquistaste
sao renegadas as tuas lagrimas sentidas
de perdao paterno tao saudoso - chora
estas so, nunca mais teras o que sonhaste
sofre o desprezo de todos, e ao teu fel
bebe-o com o que te foi negado - sente a vida

O meru "ego" – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
O mar de mim mesmo esta tranquilo - de momento
mas, eu sei, que havera tempestade
luta feroz, outra vez...
dizes que me amas - quero crer-te
mas que sabes acerca de amor
um casamento burgues a portuguesa?
muito pobre, sem gosto, querida amorosa
aprende a viver, nao te enganes com a vida
cultura medieval religiosa
e tecnocracia do seculo vinte
nao se misturam, so te confundem
fazem-te parecer a uma nova rica
mistura os ingredientes do amor
puritanismo eguala sexualismo
aprende como a vida se torna eterna
ve o espectaculo da satisfacao
deseja ser captiva da centelha perfeita da vida
e da tranquilidade melancolica de sentir
o desejo permanente de estar onde se nao esta
a maneira de olhar sem ver nada, mas so sentir
esse e o modesto segredo do meu "ego"

Baia de Sao Francisco – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
E a noite desce lenta e pardacenta
voam farrapos a luz do sol mortico
cedo a iluminacao de miriades de lanternas de maravilha
cintilirao sobre a bela baia de Sao Francisco

Lisboa – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
E tu Lisboa dos olhos de fada, como te sofro
E que tao longe me ficas; uma moura bela encantaste?
o teu castelo ao sangue tras-me orgulho:
da-me os velhos pregoes com que sempre me acordaste

Madeira – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Do paraiso belo dos versos de Camoes
assalta-me a nostalgia de dias de alegria
e a Madeira, de tao graciosas recordacoes
no Atantico vogando, qual maviosa e triste princesa

Os Lusiadas – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Grandes feitos, fama grande
maior que Castela, ainda
contados em Historia linda
so estes da lusa gente!

Acores – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
"Terra, terra a vista", grita o gageiro
e o coracao pulsa fagueiro
um padrao fica a assinalar
Acores, aquele que por la chegar

A baia da vida – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Derramar um mar de luz
-na baia
um mar de luz na escuridao da noite da baia
das cores esparcadas, fusforecentes, da baia
que vem do mar pacifico
ao som plangente
do tango dolente
das palmeiras e arvores ilumindas
dos teus olhos fugitivos
de sonhada mocidade
que tanto choro de sentida
e me acena com sonhos perdidos
de jamais esquecidos
-na baia da vida

Ouve o meu tumulto – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Ve o "Ghetto" crucial ensanguentado
ve as arvores sem fim do vale
ve o sangue correndo das cidades
e corre ate ao fim do caminho para a tua morte
porem queres viver, ainda que a vida te seja negada
e o mundo cavalcua o seu proprio fim!
nao teras este segundo outra vez - vive!
mas a tua vida deveria ser socegada
e o que do tumulto que vai chegar?
sinto-o na minha garganta, no meu sangue
e deverias ter o repouso do teu coracao
temo pela tua vida, irma
temo que nao o consigas aguentar
porque a vida nao e somente a rosa da tua boca
a vida nao e tao terna como os teus olhos
e ainda sonho a forma velha de amar
a tua cara de Sevilha, ou os teus dentes de Paris?
os teus labios deslumbrantes duma rosa de Granada
ou a tua forma de andar de Nova Iorque?
e aqui fico, o homem de... nenhuma parte

O meu mundo – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Bem longe, no pais da quietitude
as folhas do Outono comecam a cair
uma a uma, na melancolia silenciosa
na beleza resplendente do sol por
o coracao sente poesia voando junto
na aragem quente empurrando a vela devagarinho
assim me fizeste recordar o mundo
e eu adero desesperadamente a tua ilusao
esperando encontrar paz do teu espirito
mas a cena parece tao problematica...
gostaria encontrar o meu porto seguro em ti
vejo o teu coracao generoso todo aberto
porem, ainda antevejo a negativa poderosa
ou e a minha forma fatalista negando os meus sonhos?
entretanto pesquiso o meu coracao para evitar ferir
e temo suspeitar nao te merecer
o meu cerebro ja debate com o coracao
e a luta mata o meu sentir
ser livre, para voar longe contigo ao meu mundo
dando-te o meu amor, vivendo de verdade...

Da tragedia da vida – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Esquece os meus poemas, esquece a vida
e foga ate ao fim para o meu mundo de sonho
vem ate ao extase do sentir humano
o meu coracao mata-me de cuar amor por ti
a minha alma para morta a tua lembranca
mentem-te, querem-te morta
e eu viajar-te-ei por toda a parte
porque tu tens a sina da Madame Butterfly
porque ainda quero sonhar de tragedia
da cena da tragedia da vida

Brasil – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Terra de Santa Maria!
e o sangue velho que me corre nas veias
berra em sonho de tempos antigos
mistura de orgulho e fascinacao de originalidade
descoberta de mundos perdidos
reuniao de humanidade em continentes distantes
terra maternal de beleza nunca vista ou imaginada - Brasil

Perdidos no mar – Por: Jose Edgar R. B. Pereira
Da profundidade dos oceanos de mundo
chegam-me as vozes dos mortos no mar
Emilia Earhart a comecar o voo a solo cruzando o Pacifico
finalmente responde a voz dramatica, sem fim, do telegrafista
a grande aviadora inspirando a visita a lua
dorme junto ao descobridor gigante - Magalhaes
ela a dar a sua vida para se sentir como aguia
ele a dar a conhecer ao Homosapiente o todo do seu mundo
e dando-se as maos atraves do extenso oceano
nas aguas angustiadas da esperanca de paz para a humanidade
chorando para que as suas vidas nao se percam em vao
gritam que ha ainda uma luz
na escuridao do fundo dos oceanos dos perdidos no mar

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